MARÍLIA / SP - quarta-feira, 23 de maio de 2018

REDUÇÃO NO USO DOS ANTIINFLAMATÓRIOS

CAMPINAS REDUZ 12,5% NO USO DE ANTIINFLAMATÓRIOS

Os países do primeiro mundo conseguiram crescer por meio das parcerias da iniciativa privada com o serviço público. No Brasil, onde os sistemas de saúde têm grandes deficiências, não pode ser diferente. A maioria da população não tem acesso a medicamentos, planos de saúde e seguradoras, é mal atendida nos estabelecimentos públicos e muitos privados, além das péssimas condições de trabalho dos profissionais da saúde, principalmente os médicos. Esse arsenal de problemas fez com que a  Associação Médica Brasileira de Acupuntura (AMBA), levasse à frente um projeto de capacitação profissional em Acupuntura, junto com a Coordenadoria de Saúde Integrativa de Campinas (SP), cujos desdobramentos tornaram o plano um exemplo a ser seguido em todo o pais.

No final de 2005, essa parceria promoveu um curso para treinamento de médicos na prática da Craniopuntura de Yamamoto – Yamamoto New Scalp Acupuncture (YNSA), um sistema criado em meados de 1970 pelo médico Toshikatsu Yamamoto. Essa técnica aplica agulhas menores em um microssistema localizado na cabeça do paciente e que representa o corpo todo. É indicada para diversos tipos de dor e seqüelas neurológicas de AVC’s como hemiplegia, paraplegia, paralisia facial e parestesias. O sistema é interessante porque substitui as macas por cadeiras ou poltronas, com ganho de espaço nos consultórios e ambulatórios.

Dessa forme, ainda em 2005, houve a oportunidade para que 60 médicos já capacitados pudessem participar do Simpósio Internacional Brasil/Japão, na cidade de São Paulo, com a presença do Dr. Toshikatsu Yamamoto. Em seguida, no início de 2006, Campinas criou o primeiro ambulatório para controle da dor e outras moléstias baseado nessa técnica.

REDUÇÃO DE ANTIINFLAMATÓRIOS

O uso de medicamentos para alívio da dor é sempre um problema por causa dos efeitos colaterais, como gastrites, lesões hepáticas e renais.  Em Campinas, durante 2003, o consumo mensal de antiinflamatórios foi de 534.336 comprimidos de diclofenaco de sódio; em 2004, a média mensal foi de 601.856, e em 2005 de 644.366.

Em 2006, o consumo mensal esperado era de 700.000 comprimidos de antiinflamatórios. Mas, a média mensal ficou em 570.000 comprimidos. O fato mostra a redução de 74.336 comprimidos ou 12,5% em relação ao ano passado, uma resposta direta à maior utilização da craniopuntura.

De acordo com o coordenador de Saúde Integrativa, Dr. Willian Hyppolito Ferreira, o sucesso e os bons resultados do projeto devem-se à iniciativa levada adiante em conjunto com a AMBA, que ministrou diversas aulas para os médicos de Campinas. E, também, à dedicação dos que estão realizando a técnica nas Unidades Básicas de Saúde e outros locais. A iniciativa reduziu a dor dos pacientes, enquanto realizam as hipóteses diagnósticas necessárias, e os respectivos tratamentos de cada doença.

Hoje, 95 médicos da cidade já utilizam essa técnica nos quadro dolorosos de seus pacientes, correspondendo a 10% por cento de médicos da rede municipal de saúde local. 

Segundo o presidente da AMBA, Dr. Ruy Tanigawa, outro trabalho semelhante foi realizado recentemente em Piracicaba (SP). “Pretendemos estender a realização deste e outros cursos em várias regiões do Estado de São Paulo e do Pais”. Com isso, a AMBA dá um suporte mais eficiente à saúde da população, e a custos menores em função do menor uso de medicamentos. Além disso, trata-se de uma de atualização técnica gratificante para o médico, que constata  uma recuperação mais rápida de seus pacientes”, disse o Dr. Ruy.

A maioria dos pacientes das redes públicas de saúde e até uma boa parcela da rede privada, deixa os tratamentos por causa do mau atendimento e custos elevados dos medicamentos. E, por conseqüência, deixa de procurar o médico por este mesmo motivo. Passado algum tempo, esse paciente retorna, muitas vezes com outro médico, mas seu quadro clínico está agravado por causa da evolução da doença. Daí a necessidade premente do estabelecimento de políticas públicas de saúde realísticas, onde todos tenham oportunidades. E, principalmente, com respeito à hierarquia e funções do médico. Afinal, saúde é um direito do cidadão e não massa de manobra política ou favor como querem alguns governantes.

Fonte: AMBA NEWS

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